LEMBRANÇAS DA VOVÓ
MIOARA
DA INFÂNCIA DA
MONIQUE
Hoje, 7 de abril de 2013 - acho importante mencionar a data,
pois espero que daqui a muitos anos alguém descobrirá no fundo de uma gaveta
umas escritas de muito tempo da Vovó Mioara.
Interessante lembrar que 2 jovens Romenos percorreram um
longo e árduo caminho para chegar no Brasil e a Porto Alegre para hoje ter este
prazer imenso de relatar minhas lembranças. Meus netos atualmente sabem muito
de minha vida, mas quem sabe a futura geração pode um dia achar interessante
todos estes acontecimentos.
Dizem que netos são filhos com açúcar.
É a pura verdade.
Lembro-me até hoje quando meu filho André avisou a gravidez
da Suzana.
Do jeito que eu me conheço, garanto que na hora dei um pulo
de alegria.
Pensando bem, ou retrocedendo muitos anos atrás, foi preciso
2 jovens Romenos saírem do país deles e passarem por muitas aventuras para
chegar ao Brasil, ter filhos no Rio, se mudar para Porto Alegre para aqui
conhecer aquela (Suzana) que anos mais tarde ia me dar a primeira neta,
esperada com muita emoção pois me transformou numa coisa única: SER AVÓ!.
Passaram 33 anos, mas me lembro como se fosse ontem.
No dia 29 de março na hora do almoço meu filho nos avisou que
ela entrou em trabalho de parto.
Esperançosos em casa até de tarde quando novo telefonema nos
comunicou que estava quase lá. Corremos
para o hospital FÊMINA e sentamos numa sala perto da sala de parto, foi quando
o médico avisou que ia fazer Cesária.
Continuamos com o olhar fixo na porta que ia nos trazer ao
abrir a noticia esperada, posso dizer que a espera por um neto, no caso neta, é
uma das maiores alegrias da vida.
Entre abrir e fechar a porta, entrando e saindo gente de
avental verde, e eu levantando cada vez esperançosa, quando de repente apareceu
uma enfermeira trazendo no colo o que parecia um lençol amassado. Naturalmente
eu pulei de novo para ver, quando o Oscar me falou: Não está vendo que é um
lençol que estão levando para lavar?
SURPRISE!! No meio do lençol
tinha uma figurinha feminina toda amassada. Na hora, eu pensei que era a cara
que ela ia ter aos 90 anos! Mas a natureza é a mãe dos milagres: Uma hora
depois vimos à própria lavada e vestida com a cara lisinha, docinha, um
biquinho que parecia pedir um selinho (é como se chama hoje).
A partir daquele momento até hoje, a carinha amassada de nome
Monique foi um dos grandes presentes que Deus nos deu.
Horas mais tarde em casa junto com o titio Sergio, tomamos champanhe
para comemorar.
Acabando a história da Monique vai seguir a do Rafael e do
Dudu e por ultimo a da Marcelle.
Encerrando com chave de ouro a vinda dos bisnetos Cris e
André, frutos da bela árvore que foi o André.
A emoção de ser avó, não sei não, é a maior emoção da vida.
Ser pais não fica atrás, mas como escrevi no começo, ser avó tem mais açúcar. Lembro-me
que na época pus todo meu talento de tricoteria para fazer um enxoval de
inverno.
Lembro-me das calcinhas compridas listradas que eram muito
elogiadas, me contava minha nora Suzana.
Com 3-4 meses, apesar do frio, pegava ela bem agasalhada e
levava no Parcão, passeava no sol. Com o suco de cenoura e o sol do Parcão, a
cor dela era maravilhosa!
Aliás, este Parcão (eu repetindo a palavra) teve uma
importância permanente na vida dela. Até os 3 anos quando foram para São Paulo,
aproveitei ao máximo os prazeres da companhia dela. Começou a falar não muito
cedo e muito engraçado. Lembro-me de uma noite na praia no colo do pai, na hora
que todos íamos sair para comer um sorvete, acho que foi a primeira frase que
ela falou “Eu quero ir chunto”. Não esquecendo que com 6 – 7 meses cantava
trecho de Danúbio Azul.
Teve gente chamada Matilde Gus que não acreditando quando eu
contava, veio na minha casa com uma amiga e, sentadas na sala, ouviram
pessoalmente a própria com aquela vozinha pequena mas bem clara cantar o
Danúbio. Também de noite quando a “LUIA” aparecia, batias as palminhas.....
Compramos para ela a primeira piscininha redonda aonde me
lembro bem que além dela meus filhos também se espichavam na água morna do sol.
Como escrevi antes, com 3 anos a família se mudou para São Paulo, mas o círculo
não se rompeu, só se espichou mais. Uma lembrança muito forte a de eu ter feito
o bolo dela quando completou 1 aninho. Minhas mãos viraram mãos de fada pois o
bolo tinha boneca, balanço, piscina, pombas, flores e grama verde de açúcar.
Esta felicidade se repetiu seis anos atrás quando a bisneta
Cris fez um ano e eu procurei aliando lembranças, material e muito amor fazer um
bolo bem parecido com aquele que tinha feito para a mãezinha dela.
Voltando à mudança para são Paulo, por muito tempo as
conversas telefônicas com ela eram ininteligíveis mas com o tempo melhoraram e
até hoje fazem minha delícia pois ela me conta tudo que acontece na vida deles.
As lembranças abundam com mais rapidez do que eu consigo escrever. Na época,
ela não deveria ter mais de cinco anos, Oscar veio junto com ela para Porto
Alegre. Não estranhou nem nada, também o quarto ficou parecendo uma loja de brinquedos..
Tinha uma cesta de plástico branco para verduras que virou
balanço de boneca. Tinha pratinhos, xícaras, fogão tábua de passar, bonecas
pequenas e uma bem grande que aos poucos perdeu o cabelo, um braço, uma perna e
acabou no lixo. Quando estava muito frio, enfiava ela na cama com duas bolsas
de água quente (pois a avó tem horror de frio). Lembra, Monique? A partir
daquela data até os doze anos quando apareceu a maninha na vida dela, todo mês
de julho era Porto Alegre e verão em Capão. Nesta altura, a piscina redonda foi
aposentada e compramos uma bem maior, que no meio da grama do jardim fez a
delícia dela por muitos anos. Acompanhava ela na piscina duas bonecas, 1
pretinha e uma barrigudinha que estão até hoje na minha lembrança.
Por falta de grande família, não tinha crianças para brincar
e a avó Mioara caçava na rua meninas, oferecendo piscina e lanche só para ter
companhia. Não é? Fora as dezenas de bisnaguinhas com queijo e presunto que ela
comia na frente de casa à tarde, torradinhas na hora e de vez em quando
gritava: “VÓ! Faz mais quatro”, chegava às vezes até 10.
Uma lembrança muito forte e querida é sobre a amiga Mariana,
os passeios delas de bicicleta, os espetáculos de dança que ocorriam no gramado
de nossa casa, eu botando cadeiras para nós e para a família dela e emprestando
minhas camisolas sexy para elas dançarem! Os finais de semana eram muito
esperados pois chegaria o Tio Serginho e a tia Vivinha que gostava muito de
crianças. Quando o Rafael entrou na vida dela, foi amor à primeira vista. Além
de ser um neném, era um priminho loirinho de olho azul. Quando em julho era
sempre Porto Alegre, programa de todos os dias no Parcão. Acho que na época eu
podia andar lá de olhos fechados de tanto que eu conhecia tudo, brinquedos,
lagos, patos, o moinho e o resto. O problema na época era a pequena esnobe que
só queria ir de “TACHI”, não de lotação. A gente saía de casa com a sacolinha
de brinquedos para areia, um bolinho e sentava na borda de um quadrado bem
grande cheio de areia. Ela brincava lá e eu acompanhava. Não me lembro de nem
um momento de eu me sentir cansada ou irritada com a presença dela. Era uma
criança tranquila, SÓ...na hora de comer o quadro do comedor com três patinhos
virava uma novela.
Acho que este quadro vou deixar para ela por testamento.
Neste período a própria avó aqui era bem mais moça!
Eu ia muito para São Paulo para ver eles e eles vinham muito
aqui em feriados, e sempre no Natal na praia, onde esperava eles com a árvore
bem grande e muitos presentes,
Com 12 anos e a chegada da maninha, mudou um pouco o ritmo
familiar. Quem ia mais a São Paulo era eu pois tinha outra pessoinha para ver.
O tempo ingrato corre demais e de repente e figurinha amassada com 18 anos fez
vestibular de medicina aqui também. Na minha cabeça estava tudo organizado para
a estadia dela aqui. O quarto, guarda-roupa e a boneca que estava sempre na
cama esperando ela (até hoje). O destino fez aquilo que é certo, a medicina
ficou na vontade e aconselhada por uma pessoa muito bem inspirada, fez o que foi
uma excelente escolha, tenho certeza que vai progredir cada vez mais, pois
vontade e trabalho são a prioridade dela.
Um belo dia apareceu um nome CAIO no meio das conversas. Cada
vez mais se falava no tal até que de amizade foi para namoro e foi até chegar
no casamento.
Nós o conhecemos durante o namoro quando vieram aqui para
Porto Alegre aqui em casa. Era e é uma pessoa educada, tranquila e nós gostamos
logo dele; ele pareceu gostar igual pois até hoje quando ele vem aqui, a gente
sente uma corrente de amor entre nós. Não é, Caio?
Voltando na época do casamento, por muita tristeza o avô
Oscar se foi uma semana antes, mas a vida tem que continuar e a cerimonia e a
festa foram maravilhosas. O tio Serginho entrou com ela, a avó Mioara não
chorou muito para não estragar a maquiagem. Até hoje tenho o DVD do casamento,
que vejo uma vez por mês para lembrar a alegria da festa.
Durante o tempo que eu escrevi lembrando o passado, várias
vezes me vieram lágrimas nos olhos, mas este tipo de lágrimas deixam os olhos
mais bonitos, de modo que espero que leiam com prazer e interesse todas estas
lembranças que esta vovó escritora (depois de velha) relatou para vocês.
Acho que vou parar por aqui pois o resto como a chegada da
Cris, eles podem contar melhor que eu. Ela, sem dúvida como todas as crianças
são presentes de Deus. Mas a chegada do pequeno André prova que existe alguma
coisa além do que se vê pois a vontade de ter um menino para levar o nome do
pai foi tão forte que o fato de ele estar aqui hoje mexe com minha emoção e me
faz pensar que o que meu filho deixou de viver, Deus vai dar para o meu
bisnetinho, para ele cuidar no futuro o que o avô dele não pode ter feito.
Querida Monique, estas lembranças permanecem vivas em mim até
hoje, escrevi coisas que não são novidades para vocês, mas adoçaram minha
vida. Desejo para você e tua família que
possa ter na vida muitas lembranças boas.
Tua avó Mioara
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